Testemunhos reais da maternidade #16

Depois de 3 longos anos conseguimos alcançar o nosso maior sonho e dali a 9 meses a família ia aumentar. Foi um sonho tornado realidade, mas mal sabíamos que o nosso maior sonho se ia tornar no nosso pior pesadelo.

Na 1a ecografia deliramos quando soubemos que íamos ser pais de gémeos, depois tive 1 perda de sangue às 10 semanas, mas foi na pré-morfológica o nosso mundo desabou. Seria a eco de confirmação dos sexos dos bebés, seria a eco para gravarmos tudo em CD, seria a 1a grande eco, mas tudo descambou…com a frase: O de cima é 1 menina, o de baixo 1 rapaz, mas deste pode haver aqui algum problema não consegui tirar as medidas do cérebro…”

E assim começamos a ser seguidos na MAC.

Foi um balde de água fria, fiquei em pânico. Ok, são pequeninos e ele está por baixo mas a preocupação era muita.

Na 1a eco na MAC (17 semanas) confirmou-se o pior, não se viam os hemisférios do cérebro do nosso bebé. Aparentemente era uma hidrocefalia grave e que se tal se continuasse a verificar ele seria “incompatível com a vida”, e foi aí que me falaram do feticidio. Ainda hoje estas palavras me causam arrepios, foi muito duro ouvir…Seria depois das 34 semanas, para o caso de provocar o parto da mana, e eu teria que assinar 1 termo a autorizar.

A partir daqui o controlo da gravidez era ao mm e às ecos juntam-se: 4 ressonâncias magnéticas (RM) e 1 amniocentese.

Até às 21 semanas nunca tivemos esperança nenhuma, chorava todos os dias e só queria que o inferno da gravidez acabasse de vez…mas…nessa semana surgiu uma luz ao fundo do túnel e embora fosse fosca, já era qualquer coisa, e ouvir que a hidrocefalia não estava tão acentuda, foi o melhor que nos podiam dizer.

O tempo foi passando e não havia novidades boas, ninguém nos dizia que o nosso bebé podia viver sem sequelas.

Às 25 semanas fui à MAC para mais uma ecografia o médico nunca falou e no fim disse que a suposta mal formação tinha desaparecido. Estava perfeito, como a mana. Nem quis acreditar, os meus sonhos, as minhas orações tinham sido ouvidas. A felicidade foi geral, todos queríamos que o bebé estivesse bem e agora estava, 100% bem. Era altura de confirmar tudo e marcamos a ressonância magnética (já seria a 2a) uns dias depois, e a consulta de neuropediatria para o mesmo dia, na Estefânia. A confiança do médico era tal que não assinei qualquer documento e só se a ressonância indicasse alguma anomalia é que voltava lá, nessa mesma semana, mas segundo o médico não seria necessário. Assim foi…fiz a maldita ressonância e a neuropediatra disse-nos que não foi nada conclusivo, já que os bebés se mexeram muito, mas que detetaram um problema no cerebelo do menino. E assim, no dia seguinte lá estava eu na MAC, a assinar aquele documento que consentia que matassem o meu bebé. Foi a pior assinatura da minha vida…chorei muito enquanto escrevia o meu nome, assinava e datava o papel. Como é possível uma futura mãe assinar um documento para matarem o seu bebé???? Foi HORRÍVEL…dias depois soube que o conselho médico consentiu o feticidio.

Às 27 semanas nova eco a médica disse-nos que não havia nada de errado com o bebé, apenas o cerebelo era mais pequeno que o normal, mas estava nos parâmetros normais e que se lhe dissessem que era o nesmo bebé nunca acreditaria. Entretanto fiz a 3a RM que confirmou a informação da médica. Fiquei louca de felicidade, mas o inferno ainda não tinha terminado.

A 4a e última RM indicava, com toda a certeza que o bebé tinha algum problema. Estávamos no limite para resolver se avançamos para o feticidio ou não e depois de nova consulta na neuropediatria foi-nos dito que havia um 50/50.

Nesse mesmo dia, e sem pensar muito mais, fizemos a nossa escolha…íamos ter o nosso bebé. Com quase 40 semanas, depois de 3 ecos e 1 RM favoráveis podíamos desistir do nosso bebé??? NUNCA…Receio??? Claro que tínhamos. Pintaram-nos 1 quadro terrível e ele podia ser dependente de terceiros para toda a vida, ter dificuldades na fala e/ou na escrita e não conseguir sentar-se ou pôr-se de pé.

No fim de outubro nasceram e eram 2 bebés super perfeitinhos. O meu menino agarrou-se à gase da enfermeira, como que a dizer que ia ser muito forte. E não é que é mesmo? Já diz umas palavras, gatinha, senta-se e anda agarrado a tudo. Os exames apontam, apenas para um encurtamento do cerebelo que até agora, felizmente, não tem trazido grandes obstáculos. É um menino que adora brincar e rir. Ele é, sem dúvida nenhuma, a força do meu coração, a maior e melhor decisão da minha vida…

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O dia que nasceste… Levin ❤️

… Continuação do post de ontem.

A médica confirmou, contrações de 5 em 5 minutos, 4 dedos de dilatação.

Estávamos em trabalho de parto.

Lembro-me muito bem da enfermeira perguntar se eu queria algo para aliviar as dores. E eu sempre convencida durante a gravidez toda que ia ter um parto na água. E sem falar ainda alemão, comunicar-me com todas as pessoas no hospital em Inglês, respondi no meio de uma contração.

“DRUGS ! I want Drugs !!”

Tenho a certeza que quando me tiraram sangue a seguir foi para confirmar se eu não seria dependente de drogas. 😂

As contrações apertaram casa vez mais, e fui então para o bloco de partos.

A médica decidiu que eu tinha que assinar papéis para a epidural, ali assim. A meio de contrações de dois em dois minutos. Estava já desesperada.

Papéis assinados, e eu só conseguia pensar para mim.

“Merda, onde eu fui meter-me, vou passar de novo por um parto ?!”

Finalmente por volta das 5 e pouco da manhã administraram a bendita e maravilhosa epidural e disseram para tentar descansar um pouco.

Eram 7h30 e a epidural já tinha passado. Uma médica em formação ao meu lado tentava me acalmar, e a outra disse “ vamos começar a expulsão, águas rebentadas, 10 dedos de dilatação! Não administramos mais epidural, precisamos que sinta quando deve fazer força.”

Eu gritava, e pensava que na próxima contração não iria gritar mais. Pois, mas gritei até deixar de respirar, e ser a médica a gritar comigo para eu voltar a mim. 😂

Finalmente, às 8h06 minutos o Levin veio ao mundo. E a primeira coisa que eu disse ao meu marido “ ele é igualzinho à Noa, mas é mais pequeno não é “ ( spoiler, não não era ! )

Mas então comecei a sentir-me dormente e sem forças. A médica tirou-mo muito rapidamente dos braços e deu-o ao Tiago. Dizendo apenas “ temos que tratar da sua mulher, ela está a perder muito sangue”

A médica em formação foi-me falando sempre para que eu não adormecesse. E felizmente tudo correu bem.

Minutos depois, e para meu espanto. Fui logo mandada levantar para ir fazer xixi ! Sim, é verídico.

Depois já numa outra cama, a médica perguntou-me se queria amamentar ou se queria dar biberon. Ficou ao meu critério. Mas eu decidi que queria amamentar.

E assim foi há dois anos atrás. Quando me apaixonei perdidamente pela segunda vez, pelo meu segundo filho.

E quando me apercebi que teria que passar pela desgraça do pós parto novamente.

Mulher é força não é? ❤️

O dia antes de nasceres … Levin ❤️

Há dois anos atrás, acordei de manhã e despachei-me como um dia normal. Aliás, não muito normal, estava meio chateada porque o meu marido estava em casa e eu é que tive que levar a Noa à creche.

Andei até lá, voltei, e fora do normal decidi passar pelo meio da floresta perto da nossa casa, aproveitar um bocado o ar puro.

Voltei para casa, fui comprar calças e sapatilhas para a Noa, que estava mesmo a precisar. O meu marido desta vez foi comigo.

De novo em casa, baixei a tábua de passar a ferro ao nível da cama, para poder passar umas últimas roupas do Levin a ferro. Dei um jeito à casa, e depois então o Tiago foi buscar a Noa à creche.

Quando ela voltou decidi que não podia deixar mais tempo passar e faríamos os três a barriga de gesso. Assim foi, barriga feita, tudo arrumado, já todos jantados. Quando comecei a sentir um desconforto estranho, mas não me alarmei.

A Noa foi para a cama, eu e o meu marido também, mas antes decidi meter roupa a lavar muito rápido, porque as calças que usei enquanto fazia a barriga, eram umas das que estavam na mala da maternidade. O desconforto continuou.

Já com todos a dormir, decidi tomar um banho para ver se as contrações seriam apenas isso mesmo, um desconforto.

Mas elas não paravam.

Instalei uma aplicação e comecei a contar. Isto tudo no silêncio da noite sem conseguir dormir.

Eram 2h da manhã e as contrações estavam de 5 em 5 minutos.

Levantei, estendi a roupa ( sim, estendi a roupa 😅 ) vesti um fato de treino e disse ao Tiago,

“Liga ao teu irmão, vamos lá deixar a Noa, porque temos que ir para o hospital”

Ele não acreditou muito, até à médica confirmar que estava em trabalho de parto, ele disse sempre “ arrancaste-me da cama, para mal dormir, depois vamos voltar pra casa por ser falso alarme, e eu vou trabalhar quase de direta”

Mas a médica confirmou, contrações de 5 em 5 minutos, 4 dedos de dilatação.

Estávamos em trabalho de parto …

Continua …

8 de Março – dia da mulher

Nunca fui muito fã deste dia. Não porque não me orgulhe em ser mulher, antes pelo contrário.

Tenho para mim que a maioria não entende o conceito deste dia. Muitas julgam apenas que é o dia de se juntarem com mais outras não sei quantas mulheres para jantarem fora. Depois vão beber uns copos e acabam na histeria de um striptease.

Sempre que decidi também ir „celebrar“ senti-me um peixe fora de água. Simplesmente por não perceber onde se estava a levar este dia.

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O conceito deste dia é acima de tudo celebrar a mulher !

O que já conseguimos ao longo da nossa vida até agora.

Para relembrar o quanto as nossas antecessoras lutaram para estarmos onde estamos hoje.

Para relembrar que já tudo foi pior, e ao longo dos tempos foi melhorando, e que um dia conseguiremos ser aquilo que merecemos.

Para relembrar a todas nós que ainda muito temos que lutar pela igualdade. Para relembrar o quanto ainda temos de suar para sermos reconhecidas.

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Este dia hoje, e deste ano, é em particular uma chamada de atenção. Como quem diz , é um “de acordar” para todas nós. Porque só este ano já morreram 12 mulheres vítimas de violência doméstica em Portugal. Uma delas uma criança, morta pelas mãos do próprio pai.

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Mulheres. Respeitem-se a vocês mesmas e à próxima. Somos tão mas tão fortes, somos tão mas tão boas em tudo o que fazemos. Mas perdemos sempre por estarmos umas contra as outras em vez de lutarmos unidas. Somos as nossas próprias inimigas.

Mulheres, amem-se tal como são. Não há homem nenhum neste mundo que vos ame mais do que vocês mesmas.

Mulheres. Tenham força para dizer chega ! Pensem em vocês porra ! Ele diz que ninguém mais vai querer ? Não precisas ! Tu mesma te chegas !

Ele diz que és feia, deita-te abaixo, faz-te perder a auto estima ? Pois fica sabendo que és linda ! Que quem tem que gostar de ti és tu mesma e mais ninguém.

Ele diz que te ama e não vive sem ti ?

Quem ama , não bate! Quem ama cuida.

Homens. A mulher pede acima de tudo respeito.

Foi uma mulher a vossa primeira casa. Foi de uma mulher que vocês nasceram.

Foi uma mulher que deixou tudo para que vocês crescessem e se tornassem quem são hoje.

É uma mulher que tem a capacidade de gerar uma vida, dar-vos um fruto do amor que VOCÊS têm que lhe dar.

Homens.

Neste dia da mulher não queremos flores. Queremos respeito.

Testemunho reais da maternidade #15

Nunca me irei esquecer daquele dia, o dia que marcou a minha vida para todo o sempre.

Numa manhã de inverno (07/12/2017) descobri que estava grávida. Durante 8 semanas senti o meu mundo a cair. Sim, é um fenômeno único pensar que se vai ser mãe, mas como em todo o lado existe sempre um mas.

Tinha 21 anos estava apavorada, sim era o meu sonho mas não naquelas condições.

Dia 12 de Dezembro de 2017 dei entrada no hospital com dores fortes, não era nada de mais era só o meu útero alargar dizia me a médica com um olhar sereno, debaixo da minha gola sobressaiam as marcas de uma noite desgastante.

Estava com 21 semanas tinha passado uma noite em claro para arranjar uma forma de fugir ao meu maior pesadelo, era vítima de violência doméstica por parte do pai do feijãozinho que trazia dentro de mim.

Foram 5 meses com medo de perder um ser do qual já me tinha afeiçoado, 5 meses a olhar me ao espelho da casa de banho onde retratava todas as nódoas negras.

O pesadelo finalmente passou, fugi e denunciei o monstro com quem partilhei 8 meses de inferno. Estávamos seguros, pensava eu.

Quando ele descobriu onde morávamos o meu pânico voltou, pois era de dia e de noite a vigiar me, a frequentar os mesmos sítios que eu.

No dia que descobri que ia ser mãe de uma menina ele estava presente, a pareceu de surpresa, eu tremia e engolia a seco enquanto fazia a ecografia.Tinha uma amizade “verdadeira” do qual metia as minhas mãos no fogo por ela, mais tarde vim a descobrir que ele sabia dos sítios onde eu estava por ela.

Estava grávida de 31 semanas quando ia a passear com uma amiga e ouvimos um carro, era ele. Tentou atropelar me.

Dia 19 de Junho de 2018 às 13:10 da tarde nasceu a pérola mais preciosa do mundo, cheia de saúde.

Hoje com 7 meses é a menina mais feliz mas sobretudo mais simpática que alguma vez vi na minha vida tem tudo babado de volta dela, desde a mãe à avó, desde o papa do coração ao tio.

Tive uma relação de 5 anos com altos e baixos, até que chegou ao fim e ai conheci o pai da minha filha, uma semana antes de fugir foi a ele que eu fui procurar a coragem que me faltava para poder fugir, hoje é pai não de sangue mas é o pai que eu sempre sonhei para os meus filhos ama a desde o primeiro momento que meteu a mão na minha barriga, e ela delira com ele.

E sim, a minha filha conhece o “pai” porque os primeiros meses ele visitava a com a presença da minha mãe. Quando se deu a audiência do caso de violência doméstica, e ele soube a pena que iria cumprir, nunca mais quis saber dela, até meter me um processo por ser eu que não permito as visitas e pediu a guarda partilhada. Passo a minha vida no tribunal mas pela minha filha eu aguento e vou até ao fim para que ela continue a ser a menina que é, a princesa da casa, o ser que eu mais amo nesta vida.

Tudo isto para dizer que existem muitas “eu” nesse mundo fora mas que nunca desistam de lutar, os nossos filhos são as melhores coisas que a vida nos deu.

A mãe recém-nascida também precisa de cuidados

Quanto o bebé nasce, muitos esquecem a mãe, e tudo isto pode ser envolto numa nuvem negra.

Esquecem aquela pessoa que durante 9 meses tanto mimaram, cuidaram e atenção deram.

Viram as atenções para o pequeno ser, que veio ao mundo e precisa tanto de cuidados.

A própria recém mãe se esqueceu de si e vive agora apenas para aquele amor maior.

As noites passaram a ser uma contagem de horas que passam enquanto o silêncio reina à sua volta.

A casa passou a ser um depósito de pessoas que não pediram para aparecer, e ainda assim vieram com os seus palpites não solicitados, e sem uma mão estendida para ajudar.

A mãe deixou de ser a que carrega o bebé, para aquela cuja obrigação é alimenta-lo e viver para ele.

A mãe cujo cansaço se apodera aos poucos, a privação de sono a transforma em alguém que ela própria desconhecia, passa a sentir uma solidão nunca antes imaginada.

A mãe que viu e sentiu aquele corpo mudar e se transformar, naquela que foi a altura que mais bonita se sentiu, muitas das vezes nem coragem tem agora para se olhar ao espelho.

A mãe do recém nascido, também precisa de cuidados carinho e atenção.

Precisa que alguém esteja lá para ela, e não para o bebê. Precisa de alguém que diga “estou aqui para ajudar, o que precisas ?”.

Uma mãe recém-nascida, também precisa de ajuda, e sobretudo, precisa de compreensão. Porque toda ela mudou, e apesar de toda a névoa que pode ter à volta, apesar de toda a felicidade que faz transparecer, muitas das vezes não é bem essa a realidade. Nem todas as mães são felizes no momento exacto que se tornam mães, sabem porquê ? Porque também para elas tudo isto é um mundo novo! E não são só os bebés que precisam de cuidados, também elas precisam.

Porque uma mãe cuidada é uma mãe feliz, e tudo o que o bebé precisa ? É precisamente disso, de uma mãe feliz. ❤️

Vanessa De Carvalho

Ilustração O Trocatintas

Cansada

Às vezes o cansaço deita-me abaixo.

Pergunto-me o que ando a fazer.

Grito, choro. Descarrego neles, que tão pequenos são e não entendem.

Há dias que a vida adulta não é fácil. Que ser mãe não é fácil.

Há dias em ser criança não é fácil, não é fácil perceber que os adultos estão carregados de stress e mesmo sem querer é nos que mais amam que descarregam.

Há fases que são difíceis. Que por muito que queira ser melhor, tenho deslizes e falho.

Mas é normal.

A verdade é que todas nós mães, mulheres, somos feitas de fases, e nem todas as fases são boas. E posso até me permitir ir abaixo hoje, mas amanhã? Amanhã o dia voltará a nascer, e tenho uma nova oportunidade de tentar, errar e por fim, acertar.❤️

Vanessa De Carvalho

#Maternidadedecabelosempé